Gostei da expressão:
"isso significa levar em conta o que acontece ao longo do tempo, enquanto o misterioso futuro se transforma no parcialmente conhecido presente."
Tomando carona na onda dos "blogs", aqui vai o meu. Não crieis grandes expectativas, todavia, aguardados leitores. Talvez não encontreis novidade significativa por estas bandas, previno-vos. Pretendo comentar fatos políticos e jurídicos, enxertar alguma poesia, crônica, literatices, essas coisas. Perdoai-me, enfim, pela falta de originalidade.
Verdadeiras mentirasLuís Antônio Albiero (*)
Ora, ora! Já que Sua Alteza abdicou de toda pompa e majestade a ponto de desgrudar suas nádegas reais do trono, descer as escadarias do palácio, atravessar o fosso que o separa da plebe e vir até o lado de cá para rebater um inaudível apupo deste humilde súdito, não me resta alternativa senão prestar-lhe, genuflexo, as mais que devidas e justas reverências.
O episódio fez-me lembrar de um livreto escrito em inglês, “The Truth Machine”. Narra a história de um sujeito que inventou a máquina da verdade e, para testá-la, atraiu voluntários para servirem de cobaias. A última cobaia foi um agente do serviço secreto americano, homem acostumado a lidar com verdades e mentiras. Submetido à máquina, o camarada primeiro afirmou que tudo o que diz é sempre verdade. O veredito do aparelho deu positivo. Mais tarde, porém, ele disse que havia mentido daquela primeira vez. Em resumo, o espião deu um nó na máquina e deixou louco seu inventor.
Essa historinha me inspirou a pensar na possibilidade de reconsiderar aquilo que escrevi no artigo anterior, que, não sei por que cargas d’água, mereceu tanta atenção do Rei Carlos I e Único – outrora mais conhecido como Pock.
Borsari, o verdadeiro, começa sua réplica já com uma verdade irrefutável. Sou mesmo mais conhecido como “Luisinho do PT”. Só que com “s”, por favor. De fato, sou Luís e, reduzido ao mais reles dos plebeus, hei de me conformar em ser apenas Luisinho, fazer o quê? E sou do PT, há mais de vinte anos, com muita honra, com muito orgulho. Que bom que Pock me fez lembrar disso tudo. Ser-lhe-ei eternamente grato por isso!
Bom mesmo foi constatar o quanto Pock, hoje mais conhecido como Borsari, evoluiu. Aprendeu a escrever, o menino! Jamais me passaria pela mente que ele se permitisse assinar um texto redigido por outra pessoa. Ora, veja! Quando pensei que um Ravengar qualquer pudesse vir à cena para defender Sua Alteza, eis que ele mesmo o fez, em nome próprio! Não como prefeito, mas como “presidente do PDT”. Borsari, o autêntico, só não foi feliz ao criar um plural para zero (“zero ‘graus’...” está no título). Tudo bem, ninguém é perfeito.
Melhor ainda foi constatar que Borsari, o leal, ainda se lembra que fiz parte do grupo que o levou à prefeitura em 2000 e que, apesar de todos os pesares, mantive minha lealdade por dois longos anos. Não alcancei o recorde que só seria batido recentemente por Arlindinho e Flávio, claro, que foram leais por oito anos, para só ao final desse período terem a grata oportunidade de provar o gostinho do excesso de lealdade de Sua Alteza. Vitão, Rodrigo e André, decerto por serem mais jovens, foram mais afoitos, romperam já no primeiro dia, logo após a posse, em 2005. Não suportaram tanta lealdade!
E é ainda mais gratificante observar as referências que Borsari, o generoso, faz ao governo Lula, que só em 2007 destinou R$18.883.308,73 à prefeitura de Capivari. Afinal, o que representa essa mixaria para o orçamento de um município abastado como Capivari? Taí o “PIC do Pock” a todo pique, nau que não vai a pique, a não me deixar mentir!
Ah, sim. Borsari refere-se ao fato de eu ter ido morar em outro município. Claro, claro. Como pude eu, sendo agora forasteiro, meter-me a dar palpite na política de Capivari? E chega a ser inebriante ver Borsari, o coerente, aliar-se ao discurso dos que o combateram e ainda o combatem justamente por ele ser “forasteiro”, como dizem (vade retro, preconceito!), e por ter em sua Corte assessores oriundos de reinos vizinhos... A propósito, Borsari, que é generoso e que é coerente, certamente deve ter tido justas razões de sobra para “premiá-los” com tais cargos.
Mais coerente ainda quando Sua Alteza afirma que eu estaria tentando reconstruir um partido que enterrei, cujos companheiros de luta traí e abandonei. Então é isso: enterrei, traí, abandonei, mas, mesmo assim, tento reconstruir. Confesso minha incapacidade intelectual para compreender lógica tão profunda.
E, claro, mereço mesmo as críticas referentes ao fato de eu ter-me reconciliado com pessoas que, como ele diz, “combati” no passado. Reconciliação há de ser um pecado indesculpável no reino de Sua Alteza. Penitencio-me, Majestade!
Longe do crivo do detector de mentiras e dos sistemas lógicos, vejo-me compelido a, servil e reverentemente, reconhecer que Borsari nada fez para prejudicar as candidaturas de Arlindinho e de Flávio de Carvalho, ensaiadas ao longo de quase uma década. A de Roquinho Forner só brotou nos últimos quinze minutos da convenção porque, afinal, tinha que brotar. Fenômeno muito comum em política, esse da “geração espontânea”. Tsc, tsc! Vivendo e aprendendo...
Então, verdade seja dita. Borsari é leal, correto, autêntico, verdadeiro, generoso, um poço de bondades. Enfim, um grande prefeito. E eu...? Bem, hei de me conformar à condição que Sua Alteza me impôs: sou um incorrigível mentiroso!
(Luís Antônio Albiero, 44, é advogado, ex-vereador de Capivari, assessor jurídico da bancada do PT na Assembléia Legislativa de São Paulo)
(Luís Antônio Albiero, 44, advogado, ex-vereador de Capivari, assessor jurídico dos deputados estaduais do PT na Assembléia Legislativa de São Paulo)
Amigo Ataíde,
demais amigas e amigos do Letras & Cia:
Quando observo o que acontece no Estado de São Paulo, sou tentado a dar razão ao amigo Ataíde. Aqui, há uma blindagem sem igual para que nada se apure no governo Serra e nas administrações tucanas que o antecederam. Recentemente, essa blindagem parece ter começado a ser vencida por conta do escândalo da Alstom, empresa francesa que tem um predomínio inacreditável desde 1989 nas relações contratuais de estatais paulistas. Na verdade, o caso só ganhou o noticiário nacional porque teve origem no Wall Street Journal, a partir de investigações das polícias da Suíça e da França. São 139 contratações bilionárias firmadas com estatais paulistas (Metrô e CPTM, principalmente), com forte suspeita de muita propina paga a dirigentes dessas companhias para obtenção e manutenção dos contratos, os quais vêm sendo ilegalmente perpetuados. Costumo dizer que o demotucanato inventou o "contrato perpétuo" e, enfim, praticou uma espécie de "privatização branca", já que todo o sistema metroviário está nas mãos dessa companhia.
E eu o digo de cátedra, porque estou totalmente envolvido nas investigações que vem empreendendo a bancada de deputados estaduais do PT, à qual assessoro. CPI, não há meio de sair. Serra tem amplíssima e inquebrantável maioria - à custa de trocas de favores que não se consegue identificar claramente. São necessárias 32 assinaturas (um terço do parlamento, segundo exige a Constituição Federal) para criar uma comissão de inquérito, mas a oposição é composta por apenas 23 deputados (vinte do PT, dois do PSOL e um dissidente do PV, o corajoso e austero Major Olímpio). O Ministério Público, até há pouco tempo, fazia vistas grossas (espero que, agora sob a direção do meu conterrâneo de Capivari Fernando Grella Vieira, recentemente empossado no cargo de Procurador Geral de Justiça do Estado, os rumos sejam mudados). E a mídia, ah, a mídia! Quando noticia um pum de qualquer petista, a sigla aparece em primeiríssimo lugar. Quando aborda algum assunto que comprometa os tucanos - a qual partido mesmo eles pertencem?.. .
Veja a reportagem que a TV Globo fez com o líder da bancada do PT, Roberto Felício. Eu mesmo acompanhei pessoalmente a entrevista (fiz até uma "ponta" de dois segundos - estou entre o repórter e o deputado, em pé, de terno - e flagrado coçando o nariz...), forneci informações jurídicas sobre os contratos com a Alstom. O que a reportagem levou ao ar é insignificante, quase nada em comparação a tudo o que foi passado à emissora.Por aí você vê a blindagem pró-demotucanato. E veja: não é "ilação" da minha parte, não estou dizendo porque "ouvi dizer", mas porque sou testemunha presencial do fato!
Enfim, dizia eu que quando observo o que acontece aqui, em plagas bandeirantes, tendo a dar-lhe razão, caro Ataíde. Porém, quando vejo o que ocorre no âmbito federal, sou obrigado a discordar frontal e contundentemente.
Primeiro, porque os tais escândalos, ainda quando frutos de uma evidente orquestração oposição-mídia ("dossiê" sobre os gastos pessoais de FHC com dinheiro público, cartões corporativos e o sempre requentado mensalão, dentre outros), têm sido todos apurados, investigados exaustivamente, por meio de inúmeras CPIs. Tem CPI "da tapioca" até o "fim do mundo". Tudo para desestabilizar um governo que vem dando certo, a despeito da cegueira, má-fé ou má vontade dos que insistem em não o reconhecer. Mas tudo garantido pela opção que o povo brasileiro fez pelo regime democrático, e democracia tem lá seu preço e tem lá, também, suas defecções.
Segundo, e principalmente, porque nunca se viu uma instituição policial brasileira atuar com tanto empenho, com tanta ênfase, com tanto vigor, como a Polícia Federal nestes poucos anos de governo Lula.
Então, caro amigo, não há, no Brasil, ao menos no plano nacional, nenhuma "vitória da corrupção", mas clara vitória da ética, do combate à corrupção. Que é uma vitória que não se instala e se consolida de uma hora para outra, evidentemente, mas que é e há de ser fruto de uma construção diária, pois depende da boa vontade não apenas dos dirigentes políticos, mas de toda uma estrutura político-administrativa que até há bem pouco tempo estava emperrada nos próprios vícios.
É preciso que essa opção, clara, insofismável, do governo federal pelo efetivo e vigoroso combate à corrupção inspire os nossos governadores de Estado, os nossos prefeitos, os nossos deputados e vereadores, os nossos promotores de justiça e juízes de direito, os nossos policiais de todos os níveis, os nossos servidores públicos em geral, porque deles depende a consolidação desse processo.
Clique aqui para ver a reportagem do Jornal Nacional, edição de sexta-feira da semana passada, e aqui para ver o original, se quiser, da notícia abaixo, de hoje, que retrata mais uma forte atuação da Polícia Federal:Prefeito de Juiz de Fora-MG é preso na nova Pasárgada
Qui, 12 Jun, 01h57O prefeito da cidade mineira de Juiz de Fora, Carlos Alberto Bejani (PTB), e outras 13 pessoas foram presas hoje pela Polícia Federal (PF), que deflagrou a Operação de Volta para Pasárgada. A operação é resultante da análise do material da Operação Pasárgada, de abril do ano passado, quando foram presas 50 pessoas, entre elas o próprio Bejani, outros 16 prefeitos e um juiz federal, todos suspeitos de integrar de um esquema de liberação irregular de verba do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Ao contrário do que informou anteriormente, a PF confirmou que foram expedidos pelo Tribunal Regional da 1ª Região 14 e não 15 mandados de prisão. Os mandados - sete de prisão preventiva e sete de prisão temporária - foram cumpridos nas cidades de Belo Horizonte e Juiz de Fora. Foram cumpridos também 47 mandados de busca e apreensão, além do arresto de vários veículos de luxo e imóveis na capital mineira, em Juiz de Fora e em Cabo Frio, no Rio de Janeiro.
O delegado regional de Combate ao Crime Organizado, Alessandro Moretti, confirmou apenas a prisão preventiva do prefeito de Juiz de Fora. Os nomes dos outros presos não foram divulgados. Segundo Moretti, as investigações da PF colheram indícios da procedência não lícita do montante de R$ 1,12 milhão em espécie encontrado na residência de Bejani quando de sua primeira prisão. A PF encontrou indícios de fraude na versão apresentada pelo prefeito, que alegou que os recursos eram provenientes da venda da Fazenda Liberdade, no município vizinho de Ewbank da Câmara. Segundo Bejani, a pequena propriedade (de 92,41 hectares) foi vendida por R$ 1,2 milhão ao diretor da Abdalla Agronegócios Ltda, Marcelo Abdalla da Silva. Em depoimento na PF, Abdalla da Silva confirmou o negócio, mas não reconheceu o dinheiro apreendido na casa do prefeito e foi indiciado.
CNT/Sensus: Serra segue como líder na corrida por 2010
Seg, 28 Abr, 11h37
Com exceção da simulação com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na lista, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), vence em todos os cenários em que aparece nas listas de prováveis candidatos à Presidência da República, em 2010, segundo a pesquisa CNT/Sensus divulgada hoje. Pela pesquisa, entretanto, Serra está diminuindo a sua vantagem em relação aos demais candidatos.
Na primeira lista, com o deputado Ciro Gomes, a ex-senadora Heloísa Helena e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), a vantagem de Serra caiu de 38,2% em fevereiro para 36,4% em abril. Ciro Gomes (PSB) também perde votos, caindo de 18,5% para 16,9%. A ex-senadora Heloísa Helena (PSOL) caiu de 12,8% para 11,7%. Por outro lado, Dilma, nomeada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como mãe do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), sobe de 4,5% para 6,2%.
Na lista em que Dilma é trocada pelo nome do ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias (PT), os votos de Serra caíram de 37,5%, em fevereiro, para 34,2%, em abril. Os de Ciro Gomes cederam de 19,6% para 17,8%. E Heloísa Helena subiu de 13,9% para 14,1%. O ministro Patrus Ananias fica com desempenho pior que o de Dilma, com 3,8% em abril, ante 3,4%, em fevereiro.
Na lista em que José Serra é substituído pelo governador Aécio Neves (PSDB), de Minas Gerais, a ministra Dilma Rousseff amplia a sua vantagem. Os votos na ministra subiram de 5,4% em fevereiro para 7% em abril. Considerando essa lista, o senador Ciro Gomes ganharia a disputa, as seus votos diminuíram em abril, ante fevereiro, caindo de 25,8% para 23,7%. Os votos em Aécio Neves também caíram de 16,6% para 16,4%. Já os votos em Heloísa Helena cedem de 19,1% para 17,5%.
Na lista em que Geraldo Alckmin é o candidato do PSDB - é a primeira vez que ele entra na pesquisa -, Ciro Gomes sai na frente, com 23,2%; Alckmin fica com 17,2%; Heloísa Helena, com 16,3%; e Dilma Rousseff, com 7,6%. Em um eventual segundo turno, entre José Serra e Dilma Rousseff, o governador de São Paulo ganharia a eleição com 53,2%. O porcentual, no entanto, é menor do que na pesquisa anterior, quando Serra tinha 57,9% do apoio do eleitorado consultado. É a ministra que ganha espaço, aumentando os seus votos de 9,2% em fevereiro, para 13,6% em abril.
Em um eventual segundo turno entre Dilma e Aécio, o governador de Minas ganharia a eleição com 32,1% e Dilma receberia 18,3%. A despeito do segundo lugar, Dilma ampliou seus votos. Em fevereiro, Aécio ficaria com 36,9% e Dilma, com 14,5%.