quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Presidenta educadora


Tenho 51 anos de idade e desde meus doze, treze anos sei que "presidenta" é forma aceita para designar a "mulher que preside", assim como "gerenta" é aceita para "a que gerencia". Aprendi com as professoras Elisabete (5a. série) e Stellamaris (6a. e 7a.) e com o prof. José Benedito (8a.), isso lá pelos idos de 1975 a 1978. E, se bem me lembro e não me engano, eu era bom aluno de português... (Meus colegas de então que o digam).

Mas é incrível como tem ignorante metido a sabido que, depois de quatro anos vivendo sob a presidência de uma mulher, ainda insiste em se expor ao ridículo. Foi o que fez dias atrás o vetusto jornalista Lucas Mendes,  da GloboNews (daquela estupidez pedantemente chamada "Manhattan Connection") que, no afã desesperado de criticar o slogan "Pátria Educadora" e os resultados do ENEM (com críticas tolas do tipo "só 250 alunos tiraram nota máxima"),  disse que "Dilma ensina errado as crianças" ao usar "presidenta". "É um erro", insistiu.

Errado está quem abusa de sua própria ignocontrário para satisfazer seu desejo de atacar Dilma. Pelo menos desde o final do século XIX há registros da forma "presidenta" na literatura nacional.

Para demonstrar o que digo, basta mencionar liçãozinha básica do renomado professor Pasquale Cipro Neto, clicando aqui. Mas a lição mais cuidadosa é a do juiz aposentado José Maria da Costa, do portal jurídico Migalhas. Ele cita desde Antenor Nascentes e Pascoal Cegalla até Luiz Antônio Sacconi, aqui .

Dilma não "faz questão" de ser chamada de presidenta; ela apenas prefere. Nos textos oficiais, ai sim, ela "faz questão", e está no direito dela. E por que essa preferência? Veja só! Não é por "vaidade pessoal"; muito pelo contrário, é para fins de "afirmação de gênero". Porque ela é uma mulher preocupada com o gênero feminino, com a condição da mulher na sociedade.

Ao afirmar-se como "presidenta", ela está despertando, na consciência das mulheres, das senhoras, das moças e das meninas, que elas também podem almejar postos de mando, e não apenas no âmbito restrito da política.

Então, ao contrario do que disse o Lucas Mendes, ela está, sim, educando nossas crianças; as meninas, porque reforça nelas a convicção de que podem mandar, e os meninos, porque torna a eles natural um ambiente em que venham a ser comandados por mulheres.

domingo, 21 de setembro de 2014

Apostar contra a realidade faz perder votos

A mídia apostou em Aécio e Aécio apostou na mídia. Esse foi o erro de ambos.

Aécio vem insistindo, no horário eleitoral gratuito, como já fazia antes, em sustentar teses mais que furadas ventiladas e veiculadas pela Máfia Midiática, que quer de todo jeito Dilma e o PT fora do poder, como "inflação alta e descontrolada", "juros altos", "ameaça de desemprego" e "essa roubalheira toda".

Obviamente suas palavras não encontraram ressonância no interior dos lares dos brasileiros, que vivem realidade totalmente oposta à do mundo imaginário da mídia.

Para piorar, ele se recusou a seguir a linha adotada por Alckmin e Serra em eleições presidenciais passadas, que fizeram questão de omitir seus vínculos com FHC e até mesmo a imagem deste. Ambos perderam, é verdade, mas chegaram ao segundo turno e saíram dos pleitos com certa dignidade. Aécio, ao contrário, procurou ligar sua imagem à do ex-presidente.

Deu no que deu.

A Máfia Midiática já não esconde que trocou sua aposta, ela que vinha flertando com Marina há algum tempo. Aécio, esse virou pó, não tem mais salvação. Não vai dar nem para continuar "morando na propaganda" da mídia. Só lhe resta tomar seu aviãozinho rumo às Geraes e aterrissar o quanto antes no aeroporto privatizado da fazenda do tio, sentar-se numa boa cadeira de balanço na varanda, puxar uma palhinha, picar um fumo de corda e relaxar...

Moral da história: não se bate na realidade.


Autoajuda

Marina não é uma candidata a Presidenta da República. É um livro de autoajuda ambulante. Uma personagem viva de Paulo Coelho. Protagonista de um besteirol continental.




domingo, 14 de setembro de 2014

Uma Nação de Homens Bons

(Advertência: este texto contém ironias)

Estou me simpatizando cada vez mais com essa ideia da Marina Silva de governar com os "homens bons", e só com os homens bons. É um sonho ter um país governado por homens de bem. Qual Nação não gostaria, não é mesmo?

Tive até uma ideia ainda mais genial. Acho pouco ter somente um governo formado por pessoas do bem. Acho que muito melhor seria termos logo uma nação inteira formada por essa casta de gente boa.

Só não estou certo sobre como nos livrar dos homens e mulheres que não são bons, aqueles e aquelas que não cabem exatamente no figurino ideal que projetamos. Pensei em um amplo processo de esterilização, mas ponderei que seria uma medida extremamente lenta, demoraria gerações até que os resultados concretos alcançassem resultado satisfatório.

Foi então que tive a mais genial das ideias. Poderíamos separar os maus dos bons e os concentrar em grandes fazendas, confinados por cercas elétricas, longe da civilização virtuosa, onde de quando em quando submeteríamos as pessoas más, em grupos, a sessões de câmaras de gás. Em pouquíssimo tempo teríamos uma pátria hígida, livre das maldades, em que só os bons viveriam e procriariam, até que em breve porvir nossa Nação brasileira constituísse uma raça superior e povoasse o mundo.

Com essas ideias na cabeça estou pronto para votar em Marina. Ela, com o auxílio luxuoso de gente da estirpe de um Silas Malafaia, de um Roberto Freire, de um Jorge Bornhausen, saberá separar o joio do trigo e unificara a Nação dos Homens Bons, instituindo finalmente a tão almejada Nova Política, que perdurará por todos os séculos e séculos.

Com a graça divina, amém.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Todos os "Homens Bons" da Presidenta


Falando sério, muito sério. Todos nós, petistas, quase sem exceção, sempre admiramos Marina Silva. Por sua história de vida, por sua postura antes firme na defesa das nossas bandeiras, das causas populares, por seu caráter. É uma pessoa dócil, extremamente inteligente, com uma experiência de vida riquíssima.. Poderia, sim, ser uma "Lula de saias".


Estive algumas vezes com ela, ao longo de nossa trajetória política, coincidente no tempo. Sempre nutri por ela enorme admiração, até o dia em que ela concretizou sua ameaça de deixar o PT e aventurar-se em um projeto de âmbito indisfarçavelmente pessoal. Nem mesmo isso, porém, transforma-a numa pessoa digna de desprezo. Não concordo com quem pretende transformá-la em uma "pessoa do mal" - de plano, abomino maniqueísmos - só porque "virou a casaca". Não acho que ela não coubesse no figurino de presidenta da República. - até torcia por isso, enquanto ela se mantinha associada às lutas que eu mesmo empreendo desde minha juventude.

Tudo de que discordo é da opção que ela fez pela carreira solo. Aliás, em política, carreira solo não existe. Preocupam-me as pessoas em seu entorno, os apoiadores "desinteressados" de um banco, como o Itaú, ou de uma empresa, como a Natura, não por acaso grandes devedores do erário federal.

Dirão que Lula também teve apoio, em campanha, de bancos, empreiteiras e outros empresários "desinteressados". Mas o fato é que Lula jamais rompeu com as bandeiras históricas do partido que fundou e que juntos construímos,.

Preocupam-me as súbitas mudanças de Marina, sua inflexão de 180 graus em relação a determinados temas, desde a do âmbito pessoal, em que trocou o catolicismo progressista da Teologia da Libertação pelo mais anacrônico evangelismo, o chamado "neopentecostalismo" (aliás, a partícula "neo" na palavra engana tanto quanto no discurso da "nova política"), passando por outras renegações de defesa de causas populares, para flertar com o neoliberalismo (olha o "novo" aí outra vez!...).

De todo esse quadro, porém, o que me preocupa é a renegação da própria história, ao ponto de ela renegar a Política. Marina é inteligente, perspicaz, de modo que não é possível que não esteja vendo a dimensão oceânica da aventura em que mergulhou.

Da negação dos partidos (sua mal costurada "Rede" sequer leva "partido" no nome, fórmula, aliás, já adotada pelo "Democratas", o ex-PFL, ex-PDS e ex-Arena da velha política...) - que veio como rescaldo das "jornadas de junho" - ao falso discurso da "nova política", em tudo seu caso se assemelha aos de Jânio Quadros, nos anos 60, e Collor de Mello, em 89. Ambos chegaram à presidência da República montados em partidos nanicos, frágeis - em relação aos quais o de Marina, a tal Rede, é o de maior fragilidade, pois sequer se consolidou formalmente perante a justiça eleitoral. Ambos traziam um discurso moralista, sem conteúdo conhecido, e se posicionavam como protagonistas de uma "nova política".

Indagada sobre com quem irá governar, Marina se limita ao discurso vazio de que terá ao seu lado os "homens bons". Desconheço que haja no mercado um aparelho de raio X que radiografe o caráter dos potenciais ministro e demais assessores. E ela menciona Eduardo Suplicy e Pedro Simon, a respeito de quem diz terem ficado "no banco de reservas" até agora - mesmo sendo, ambos, vetustos e respeitados senadores da República. E recentemente, em entrevista a Renata Lo Prette, da GloboNews, Marina acrescentou o nome de Jarbas Vasconcelos, outro, imagino, lídimo representante da "nova política". 

Em seguida, ela diz que "o povo" lhe fornecerá os tais "homens bons". Pois esse "povo", por experiência histórica, ao lado de tucanos e petistas, lhe fornecerá Renan Calheiros e sua trupe no Senado, a turma do Sarney e do Collor os parlamentares do PMDB e do PTB e todo o baixo clero dos partidos menores, ávidos por cargos e outras benesses. Que vão fazer valer sua representatividade popular e, claro, seu poder de fogo, obstruindo e votando conforme seus interesses, até que a presidenta Marina os satisfaça. Porque é assim e assim será enquanto não houver uma profunda reforma política, como vem pregando a presidenta Dilma e o PT em geral.

Eleitos pelo voto direto, mas com forte apoio da direita, Jânio e Collor foram rifados logo em seguida. Sem um partido forte, sem apoio consistente no Congresso, sem apoio de entidades representativas da sociedade, sem respaldo popular organizado, Jânio renunciou e Collor foi destituído do cargo. Não é possível que não tenhamos aprendido algo com a História.

Termino com uma singela homenagem à Marina que conheci e que tanto admirei.


quinta-feira, 19 de junho de 2014

Relato de um "Self Made Man"

Sou de uma geração que se acostumou a ouvir que o Brasil era o “país do futuro”, mas esse futuro nunca chegava e parecia que jamais chegaria. 
O fim da ditadura militar trouxe enormes esperanças numa democracia que incluísse justiça social, mas as eleições diretas foram rejeitadas e tivemos que engolir a escolha do primeiro presidente civil pós-64 pelo voto indireto de  deputados e senadores.

Graças a um eficiente trabalho da mídia elitista, Tancredo Neves, o eleito, tornou-se nova fonte de esperança. Morreu antes de ser empossado. Tivemos que suportar outros cinco anos com o vice, José Sarney, ex-aliado do regime militar (eterno aliado de qualquer governo), no comando da Nação. Foi um período desastroso. Sarney legou-nos, ao menos, a Constituição de 1988, realentando as esperanças.

Vieram, finalmente, as primeiras eleições diretas e a esperança ressurgiu com força, para muitos com a possibilidade de Lula ser eleito. Lula não venceu, mas o escolhido, Fernando Collor de Mello, representava, para a outra metade do país, a esperança incubada desde minha meninice. Foi uma decepção desde os primeiros dias de mandato, desde que promoveu o confisco das poupanças. Caiu por “impeachment”, num movimento iniciado pela oposição, mas ao final orquestrado pelos barões da mídia que outrora o haviam tornado o célebre (e falso) “caçador de marajás”. A elite agia como um deus, concedia o sopro da vida e a retirava quando desejasse.

Seguiu-se o período de outro vice, Itamar Franco, que se revelou um presidente apagado, por vezes pusilânime, mas que teve o mérito de conceber o Plano Real. Reavivaram-se as esperanças e seu ex-ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, sucedeu-o na presidência. A precária estabilidade econômica não era suficiente, porém, sequer para manter a inflação em níveis sustentáveis, muito menos os juros, sempre altos. Nem a entrega no atacado e a preços de banana das empresas públicas, com justiça apelidada de “privataria tucana”, serviu para melhorar a vida dos mais pobres, para enfrentar o dramático problema da miséria extrema que acometia grande parte da população brasileira, realidade que eu conhecia na própria pele, desde a infância.

Cresci, portanto, vivenciando a história de um país que tinha razões de sobra para ser pessimista. Éramos o país que não daria certo, jamais.

Enfim, veio Lula e as esperanças, vencendo o medo já expressado pela elite e seus cachorrinhos de luxo (quem não se lembra da atriz global apregoando seu temor pelo futuro, caso o ex-metalúrgico fosse eleieto?), finalmente se tornaram realidade em grande medida.

Milhões de esquecidos nos afastados rincões do país e nas periferias paupérrimas das grandes cidades, até então condenados a morrer na miséria absoluta, viram-se contemplados com políticas de socorro emergencial, bastantes para lhes assegurar não morrer de fome. Esses brasileiros aos poucos foram tomando gosto por experimentar uma vida digna. Vieram muitos outros programas, que levaram energia elétrica para milhões de famílias, que promoveram sua inserção no mercado de consumo, que asseguraram que seus filhos pudessem ingressar em cursos técnicos ou universitários. O filho da faxineira passou a ter a oportunidade de ser doutor – coisa que, no meu tempo, era algo inimaginável, salvo raríssimas exceções, como no meu próprio caso.

Sou do tipo que não deve nada a ninguém, portanto, a não ser à minha mãe, à minha irmã e ao tio que me criou, que participaram da minha sofrida trajetória. Fiz Direito em universidade particular, pagando mês a mês com o salário que recebia (de um cargo conquistado por concurso público), do qual não sobrava nada, sequer para comprar os livros necessários. O que conquistei na vida é mérito exclusivamente meu e de minha família. Jamais fui beneficiado por bolsa de estudos, nem por qualquer favor governamental ou particular.

Eu tinha tudo, por conseguinte, para fechar-me em meu mundo, viver em função do meu trabalho, do meu escritório de advocacia do qual retiro meu sustento, e me “lixar” para o que acontece com a vida dos outros. Tinha razões de sobra para ser ególatra e egocêntrico, defensor da “meritocracia”, do “esforço próprio”, como tenho visto em manifestações de diversas pessoas, nas redes sociais – como numa carta recentemente disseminada, de uma senhora que se diz “da elite”, na defesa do valoroso marido “self made man” (como os norteamericanos chamam a pessoa que venceu na vida graças ao próprio esforço). Gente que, em muitos casos, estudou em faculdades públicas, mantidas pelo povo, mas que, apesar disso, é do tipo que se gaba dizendo “ralo dez horas por dia”, “vivo do meu trabalho”, o que justificaria seu comportamento ativo contrário a programas sociais, como o “bolsa-família” ou as cotas nas universidades e no serviço público.

Eu tinha razões, enfim, para ser como essas pessoas desprovidas de solidariedade (geralmente, falsos cristãos), mas faço questão de não ser. Construí minha carreira profissional paralelamente à militância política. Estudei, trabalhei e continuo trabalhando sem abdicar de lutar para que as oportunidades que eu cavei para mim, com méritos próprios, sejam garantidas por programas governamentais para todos os brasileiros, pobres ou ricos, brancos ou negros.

É uma questão de índole, de berço. Embora não deva nada a ninguém, não me sentiria bem num mundo em que eu gozasse de privilégios à custa do sacrifício de uma imensa maioria.

É por isso que sou e sempre fui PT. É por isso que, em outubro, votarei em Dilma para presidenta e em Padilha para governador.

(Luís Antônio Albiero, advogado em Americana e Capivari, em 19 de junho de 2014).

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Sheherazade e o Reino da Barbárie



Sheherazade contava histórias ao marido, rei da Pérsia que, traído pela primeira esposa, matara a infiel e a todas as que a sucederam, com as quais se casara posteriormente, ceifando-lhes a vida logo nas noites das respectivas nùpcias. Contando histórias instigantes que nunca concluía, a esperta Sheherazade adiou sua morte e trouxe sossego ao povo por mil e uma noites.

No Brasil, a vida real parece oposta à da lenda persa. Aqui, contando histórias reais noite após noite, por meio da televisão, Rachel Sheherazade e suas versões masculinas - os Datenas e Marcelos Rezendes da programação nossa de cada dia - trouxeram desassossego ao povo brasileiro. Com sua voz firme e seus exuberantes olhos claros, a encantadora apresentadora de cabelos louros disseminou o ódio contra os meninos pretos e pobres da periferia, avalizando e incitando o justiçamento, a prática de uma suposta "justiça" com mãos próprias, ainda que à custa da vida de um infeliz acusado sem prova de furto ou outro crime.

A humanidade evoluiu da barbárie à civilização e encontrou no direito e na politica os meios pacificos e equilibrados de praticar justiça, a partir da preservação da dignidade humana, erigindo a presunção da inocência a um valor a ser respeitado por todos e para todos e delegando ao estado a apuração dos fatos, com garantia do devido processo legal, do direito à ampla defesa e ao contraditório, até chegar à definição e execução das penas dos culpados. O avanço dos meios de comunicação contribuiu significativamente para a difusão desses conceitos e para a paz social no âmbito territorial mais amplo possível.

Os meios de intercomunicação social, porém, na medida em que experimentam natural evolução, parecem sofrer grave inflexão histórica, passando a contribuir para um célere retrocesso aos tempos primitivos. A exortação da apresentadora do SBT abriu as comportas para uma sequência de linchamentos que se seguiram ao do menino negro amarrado ao poste, mas não passou de um grão de areia ao lado de infindáveis linchamentos morais que visualizamos diuturnamente nas redes sociais. Essa escalada de estímulos à violencia culminou com o recente episódio ocorrido no Guarujá, onde a violência virtual saiu da tela do Facebook e se transformou em tragédia real, por conta de um boato, uma mal formulada suposição de culpa, em que a patuleia, inebriada com as histórias raivosas da Sheherazade moderna e seus assemelhados masculinos, substituiu o papel do estado e, sumariamente, sem sequer ouvir a versão da acusada, decretou e executou a pena de morte contra uma dona-de-casa inocente.

Assome-se a isso a violência arbitrária praticada ao vivo e em rede nacional por ministros de nossa mais alta Corte no julgamento da ação apelidada "mensalão", como que abonando e estimulando, com suas condenações sem prova e baseadas em presunções e juízos políticos, as ações sanguinolentas do populacho. Aos poucos, vamos abrindo mão de nossa capacidade de nos indignarmos, substituindo-a por uma indignação seletiva, permitindo passivamente o restabelecimento do reino da barbarie, patrocinado por meios de comunicação que são concessões publicas, em relação aos quais a sociedade brasileira não exerce qualquer forma de controle.