"Os jornais de ontem trouxeram uma notícia sobre o mensalão mineiro. É curioso o tratamento dado aos diversos partidos. Quando é o caso do Partido dos Trabalhadores, eles falam mensalão do PT; quando é o caso dos tucanos e do DEM, ex-PFL, chamam genericamente de mensalão mineiro. Além da imprecisão jornalística, a meu ver, é uma injustiça às Alterosas, que tem tanta gente boa, de boas lembranças — Carlos Drummond de Andrade, Juscelino Kubitschek, Pelé, Milton Nascimento — , ser lembrada pelo mensalão mineiro. A imprensa deveria ao menos dar tratamento igual. Não que eu desconheça as mazelas que parte do PT cometeu e não quero que isso seja esquecido.
Entendo que a imprensa não pode assumir a postura política de oposição ao Partido dos Trabalhadores, ao Governo. Essa situação reflete o embate político que estamos vivendo, no qual parte da imprensa assumiu a condição de partido político. Sugiro ao Sr. Arnaldo Jabor que assuma a presidência desse partido, Míriam Leitão, a Secretaria Geral, Diogo Mainardi, a Tesouraria. Esse povo constituiria um bom partido político. Alguns viriam a este plenário debater, até porque poderiam fazer um confronto mais eficiente com o PT.
Sr. Presidente, pesquisa realizada recentemente mostra que o PT tem a imagem mais positiva de todos os partidos: 43,9% consideram-no o mais adequado para os trabalhadores. O índice que define os trabalhadores chega a 63%; no que se refere à defesa do interesse dos mais pobres, o índice é de 57%.O PT tem referência, respeito, depois de todo o bombardeio de
críticas.Sabemos evidentemente que muitas dessas críticas foram justas, porque houve mazelas, corrupção, envolvendo gente do nosso partido.Isso mostra que o PT tem um saldo muito mais positivo e que é muito maior do que as traquinagens, as delinqüências que alguns fizeram. O partido sobrevive e mostra claramente que é uma referência política muito maior do que alguns pensam.
Essa tática de bater no Presidente Lula e no PT pode não ser eficiente, até porque a formação política chamada Partido dos Trabalhadores tem raízes na sociedade brasileira, tem base social e tem respeito pela população — que é inclusive beneficiada pelo programa Bolsa Família e tem uma identificação com o partido — segmento social com o qual tínhamos pouco diálogo, que está incorporando gradativamente nosso projeto político.Reconhecemos que isso faz parte da disputa política, mas apelo a essa parte da mídia para que deixe de dar tratamento desigual. Se ela fala do mensalão que envolveu o PT, por que não fala do mensalão tucano do Sr. Eduardo Azeredo, do Sr. Aécio Neves e de outros políticos que são, de repente, esquecidos do jogo? Esse não é um bom jornalismo. Tem de tratar todos de forma igual, na crítica e no elogio.''
Tomando carona na onda dos "blogs", aqui vai o meu. Não crieis grandes expectativas, todavia, aguardados leitores. Talvez não encontreis novidade significativa por estas bandas, previno-vos. Pretendo comentar fatos políticos e jurídicos, enxertar alguma poesia, crônica, literatices, essas coisas. Perdoai-me, enfim, pela falta de originalidade.
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
O Mensalão dos Tucanos
sábado, 1 de setembro de 2007
Dulci critica tratamento dado a petistas em julgamento do STF
Agencia BrasilO ministro Luiz Dulci, chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, criticou nesta sexta-feira (31) o tratamento dado a petistas no julgamento da denúncia da Procuradoria-Geral da República sobre o esquema de compra de votos em troca de apoio político, chamado mensalão. Segundo ele, são pessoas que "deram a vida em defesa dos direitos da população mais pobre do país" e agora estão sendo "execradas".
Em entrevista a emissoras de rádio parceiras da Radiobrás, o ministro foi questionado se espera que o caso do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) tenha o mesmo fim da denúncia votada nesta semana pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Luiz Dulci disse que, mesmo sendo adversário político, não deseja que Azeredo tenha o mesmo tratamento dado a "companheiros do PT".
"Não queremos tratar a oposição como alguns setores da oposição trataram companheiros do PT. O senador Azeredo não pode ser execrado e, eu insisto, ele é adversário meu, eleitoralmente eu espero que ele seja derrotado em todas as eleições das quais participar. Mas não basta uma acusação contra um adversário para que eu considere que ele é um homem indigno", afirmou.
"Espero que o senador Azeredo seja tratado por todos de uma maneira diferente daquela que alguns trataram lideranças, por exemplo, como José Genoíno, como José Dirceu, como Luiz Gushiken, pessoas que se dedicaram durante décadas a lutar em defesa do povo brasileiro, algumas delas foram presas, torturadas, ficaram com seqüelas, porque deram a sua vida em defesa dos direitos da população mais pobre do Brasil. E, às vezes, num julgamento preliminar que tem a sua importância, mas não é o julgamento definitivo, são execradas", completou Dulci.
O ministro ressaltou que todas as pessoas têm o direito de ser tratadas como inocentes antes do julgamento. "Eu espero que acabe prevalecendo o direito dessas pessoas, como devem prevalecer os direitos do senador Azeredo e de qualquer oposicionista. Eu aprendi com a minha mãe, falecida mãe, que na democracia a gente deve respeitar antes de mais nada a liberdade de quem discorda de nós".
Em entrevista à Agência Brasil, Luiz Dulci disse ainda esperar que Azeredo prove sua inocência. "Eu torço para que fique evidente que ele é inocente. Eu não torço para que as pessoas sejam culpadas, não. Eu torço para que todas as pessoas, sobretudo as de oposição, possam provar sua inocência", afirmou.
O senador Eduardo Azeredo não está entre os 40 acusados pela Procuradoria-Geral da República, mas a denúncia cita como “embrião” do esquema as irregularidades de financiamento da campanha de Azeredo à reeleição no governo de Minas Gerais em 1998.Na entrevista a emissoras de rádio, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República falou ainda sobre o seu amor ao PT. "Eu tenho mais do que respeito, eu tenho amor ao PT, partido que ajudei a fundar, modestamente, e no qual pretendo morrer, porque ele deu uma contribuição extraordinária à democracia e à justiça social no Brasil", afirmou.
Na última quarta-feira (29), Dulci disse que o acolhimento da denúncia pelo STF nada tem a ver com o governo.
segunda-feira, 30 de abril de 2007
A história fará justiça a Lula
Depois de longa inatividade, este blogue retorna para dizer que recebi a seguinte mensagem, por emeio, em relação à qual dei a resposta que segue ao final:
"Deboche à Nação
Mauro Chaves“Afirmo que o governo Lula é o mais corrupto de nossa história nacional. Corrupção tanto mais nefasta por servir à compra de congressistas, à politização da Polícia Federal e das agências reguladoras, ao achincalhamento dos partidos políticos e à tentativa de dobrar qualquer instituição do Estado capaz de se contrapor a seus desmandos. Afirmo ser obrigação do Congresso Nacional declarar prontamente o impedimento do presidente. As provas acumuladas de seu envolvimento em crimes de responsabilidade podem ainda não bastar para assegurar sua condenação em juízo. Já são, porém, mais do que suficientes para atender ao critério constitucional do impedimento. Desde o primeiro dia de seu mandato o presidente desrespeitou as instituições republicanas. Imiscuiu-se, e deixou que seus mais próximos se imiscuíssem, em disputas e negócios privados. E comandou, com um olho fechado e outro aberto, um aparato político que trocou dinheiro por poder e poder por dinheiro e que depois tentou comprar, com a liberação de recursos orçamentários, apoio para interromper a investigação de seus abusos.Afirmo que a aproximação do fim de seu mandato não é motivo para deixar de declarar o impedimento do presidente, dada a gravidade dos crimes de responsabilidade que ele cometeu e o perigo de que a repetição desses crimes contamine a eleição vindoura. Quem diz que só aos eleitores cabe julgar não compreende as premissas do presidencialismo e não leva a Constituição a sério.Afirmo que descumpririam seu juramento constitucional e demonstrariam deslealdade para com a República os mandatários que, em nome de lealdade ao presidente, deixassem de exigir seu impedimento. No regime republicano a lealdade às leis se sobrepõe à lealdade aos homens.Afirmo que o governo Lula fraudou a vontade dos brasileiros ao radicalizar o projeto que foi eleito para substituir, ameaçando a democracia com o veneno do cinismo.
Ao transformar o Brasil no país continental em desenvolvimento que
menos cresce, esse projeto impôs mediocridade aos que querem pujança.Afirmo que o presidente, avesso ao trabalho e ao estudo, desatento aos negócios do Estado, fugidio de tudo o que lhe traga dificuldade ou dissabor e orgulhoso de sua própria ignorância, mostrou-se inapto para o cargo sagrado que o povo brasileiro lhe confiou.Afirmo que a oposição praticada pelo PSDB é impostura. Acumpliciados nos mesmos crimes e aderentes ao mesmo projeto, o PT e o PSDB são hoje as duas cabeças do mesmo monstro que sufoca o Brasil. As duas cabeças precisam ser esmagadas juntas.Afirmo que as bases sociais do governo Lula são os rentistas, a quem se transferem os recursos pilhados do trabalho e da produção, e os desesperados, de quem se aproveitam, cruelmente, a subjugação econômica e a desinformação política. E que seu inimigo principal são as classes médias, de cuja capacidade para esclarecer a massa popular depende, mais do que nunca, o futuro da República.Afirmo que a repetição perseverante dessas verdades em todo o País acabará por acender, nos corações dos brasileiros, uma chama que reduzirá a cinzas um sistema que hoje se julga intocável e perpétuo.Afirmo que, nesse 15 de novembro, o dever de todos os cidadãos é negar o direito de presidir as comemorações da proclamação da República aos que corromperam e esvaziaram as instituições republicanas.”Transcrevi, literalmente, esse artigo de Roberto Mangabeira Unger, publicado na Folha de S.Paulo, em 15 de novembro de 2005, porque estou perplexo com a fraquíssima reação da imprensa a um dos maiores deboches já feitos à Nação. Por mais inacreditável que pareça, o mesmo cidadão que escreveu esse artigo absolutamente arrasador, que não deixa pedra sobre pedra no governo Lula e na reputação pessoal do presidente da República, aceita tornar-se seu ministro, menos de um ano e meio depois. É claro que não surpreende o fato de Lula o ter nomeado - pois Lula não lê nem seus assessores lhe contam o que leram. O inacreditável é um ilustre professor titular de Direito da Universidade de Harvard trair tão acintosamente seu próprio pensamento, pela ambição de exercer, pela primeira vez na vida, um cargo ministerial. Eis, para as atuais e futuras gerações, uma demonstração de que a ambição pelo poder pode levar à degradação ético-intelectual até os melhores cérebros.Por mais que se tenha visto incoerências gritantes de políticos, indecentes troca-trocas partidários, alianças de hoje com inimigos de ontem, juramentos descumpridos ou “esqueçam o que escrevi”, tudo tem limite. E Mangabeira Unger ultrapassou, da maneira mais acachapante, esse limite. Cometeu verdadeiro ultraje a todos os que usam o papel de imprensa para externar seus pensamentos. E liquidou de vez com o valor da convicção. É como se Cícero aceitasse um emprego de Catilina, Churchill se tornasse um plenipotenciário de Hitler ou Lacerda cumprisse missão ofertada por Getúlio. Ou seja, as piores palavras de afronta gerando a mais nauseante adesão.Dá para imaginar que argumentos filosóficos, sociológicos, jurídicos ou econômicos o erudito e criativo pensador baiano-americano usará para justificar sua diametral mudança de opinião política em menos de um ano e meio? Como dará resposta a essa questão, sem o que nada do que disser valerá absolutamente coisa alguma? E a propósito, de que valerão no Brasil quaisquer opiniões sobre quem ou o que seja, se ninguém está “nem aí” com as reviravoltas obscenas de pensamento, em razão da adesão ao Poder?Só é certo, enfim, que a Sedealopra (Secretaria De Ações de Longo Prazo) decorre de uma sede aloprada ao Poder.
Mauro Chaves é jornalista, advogado, escritor, administrador de empresas e produtor cultural. E-mail: mauro.chaves@attglobal.net"
Minha resposta:
O texto de Mangabeira Unger é revelador do quanto as pessoas, por mais preparadas que intelectualmente fossem, deixaram-se enganar pela onda de denuncismo orquestrado que a mídia promoveu contra o governo Lula nos últimos anos. E agora, passado tanto tempo de sua publicação, permite perceber que as pessoas realmente de bom senso, sobretudo as de senso ético mais exigente, aos poucos vão se apercebendo das injustiças a que foram induzidas e vão reconhecendo os verdadeiros valores do governo mais correto que esta Nação já teve em toda a sua história.
Basta tomar um exemplo: dizia-se da tal "politização da Polícia Federal" por conta do período eleitoral. Passadas as tormentas eleitorais, porém, e quando as próximas estão a mais de ano e meio de distância, a Polícia Federal continua cumprindo seu papel, republicanamente, botando na cadeia até mesmo altas autoridades do Poder Judiciário. Quando foi que vimos isso na história da jovem nação brasileira? Isso prova que a limpeza ética que este governo está promovendo é para valer mesmo.
E pensar que houve quem pretendesse interromper esse processo... Compreende-se. Afinal, quem tem, tem medo!
Por fim, o convite feito a Unger revela o grande estadista que é o presidente Lula, absolutamente capaz de passar por cima de veleidades e questiúnculas de ordem pessoal para, reconhecendo valor nas pessoas que de fato o têm, chamá-las para compor seu governo, a despeito do que quer que tenham dito ou escrito a seu respeito.
Dizer que Lula não leu os artigos, mais do que expressar preconceito, é fazer pouco da inteligência do presidente. Para não mencionar que é pura estultice imaginar que nenhum de seus assessores, supondo que ele não tivesse mesmo lido o tal artigo (e pode mesmo não ter lido; afinal, a um presidente da República é natural que não lhe sobre tempo para ler tudo o que se escreve num país continental como o Brasil), não se apressassem a alertá-lo.
É o que eu sempre digo e não me canso de repetir: a história fará justiça a Lula, a seu governo e ao PT. Já está começando.
segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007
Não aos "histéricos da reivindicação"
Foi o que fez um juiz catarinense. O que chama a atenção na decisão são os fundamentos de que lançou mão o magistrado, para quem é hora de dar um basta e dizer "não" aos "histéricos da reivindicação".
Vale a pena perder vosso precioso tempo para ler esta sentença na íntegra. Por mais que haja "casos muito mais importantes esperando" pela vossa atenção.
Clicai em "Papo legal", aqui, ou no menu à direita, para ter acesso à íntegra da sentença.
terça-feira, 30 de janeiro de 2007
PF prende em Capivari chefe de tráfico internacional
Se a noite anterior foi agitada, o que dizer de hoje. A notícia saiu agora há pouco, no jornal eletrônico Último Segundo, do Portal IG. A Polícia Federal movimentou 350 agentes nesta terça-feira ao desenvolver a Operação Kolibra, com o objetivo de desmantelar uma quadrilha de tráfico internacional de drogas. Ao todo serão cumpridos mais de 80 mandados entre buscas e prisões temporárias e definitivas. Segundo a Polícia Federal de São Paulo, 16 pessoas foram presas no Estado de São Paulo e três no Mato Grosso do Sul. Entre eles está o libanês Joseph Nour Eddine Nasrallah, apontado como um dos líderes do esquema, que foi preso em Capivari.
Já o portal Terra, tratando do mesmo fato, não faz qualquer referência à minha conturbada cidade e ainda informa que o tal libanês era residente em Valinhos. Veja a descrição que o portal faz a respeito da modesta casinha do sujeito apontado como traficante:
No final, a reportagem menciona nomes de duas pessoas bem conhecidas na cidade."A residência do traficante Joseph Nour Eddine Nasrallah, preso na manhã desta terça-feira durante a Operação Kolibra, realizada pela Polícia Federal, chamou a atenção pelos detalhes de riqueza. Localizada na cidade de Valinhos, no interior de São Paulo, a residência tem colunas folheadas a ouro, paredes e piso de mármore, além de um bunker na parte subterrânea. Segundo a Polícia Federal, há também uma banheira cujo valor chega a US$ 60 mil."
segunda-feira, 22 de janeiro de 2007
Novidades no Blogue
Na hora de defender vossos direitos, não vos deixeis enganar. Precisareis de um grande advogado, de verdade. Sabei como identificá-lo.
Justiça brasileira promete o fim dos calhamaços. É ver para crer.
Meus PoeMinhas PoeSuas Poesias
Curto e grosso, um poema reticente...
Crônicas & Agudas
Um presente só para tarados. Com direito de acesso aos curiosos e curiosas em geral.
sexta-feira, 19 de janeiro de 2007
Lei "Jack Bauer"
Leia mais clicando na seção "Papo Legal", aqui, ou no menu à direita..